Aninhada a um canto da cadeira
onde te leio, tusso
releio e penso - Sou?
penso se quero se não quero
penso - Serei?
e se eu não fosse eu, quem eu seria?
e depois e repenso e penso
- se todos queremos o mesmo
era o mesmo que eu quereria....
Aninhada a um canto da cadeira
Estou
Destinado apenas a guardar e, no entanto, manter visível a mim e ao mundo os meus pensamentos, palavras e sonhos. Para que nunca os esqueça, para que recorde a sua importância na minha vida passada, presente e futura e para que em algum lado se mantenham firmes. Todos os direitos de autor reservados.
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12/09/12
21/06/12
Saudade, com letras
A saudade não é paRa todos
é talvez só para aqueles
que admitem que sentem
quando Um dia mentem
para fazer alguém feliz
A saudade é só para aqueles
que Inebriados de vida
sentem as pedras do chão
como um beco sem saída
A saudade e o desprezo
de longe, são bem parecidos
É a dor e a ausência
a falta de amor de presença
Num há esperança noutro não
e nos dois há um sofrimento
que nasce debaixo dos pés
e morre no coração
A saudade não é para todos
e nem poderia ser
é preciso ter corAgem para uM dia decidir
As Saudades que eu vOu ter.
é talvez só para aqueles
que admitem que sentem
quando Um dia mentem
para fazer alguém feliz
A saudade é só para aqueles
que Inebriados de vida
sentem as pedras do chão
como um beco sem saída
A saudade e o desprezo
de longe, são bem parecidos
É a dor e a ausência
a falta de amor de presença
Num há esperança noutro não
e nos dois há um sofrimento
que nasce debaixo dos pés
e morre no coração
A saudade não é para todos
e nem poderia ser
é preciso ter corAgem para uM dia decidir
As Saudades que eu vOu ter.
08/05/12
Viver Viver
Ao cair da tarde
Levantei um manto
Olhei o relógio
Desatei num pranto
Deixei uma onda
Crispada no mar
Deixei-te sozinho
A falar a falar
Subi um rochedo
Cortei uma mão
Meu muso, amigo
Amor, meu irmão
Abrimos a porta
Tentamos entrar
Fechamos o livro
A calar a calar
Dançámos a noite
Brindámos o dia
E fomos ao norte
Que volta tardia
Subimos a escada
Duma moradia
De onde não saímos
Onde não entrámos
Olhei-te nos olhos
Abriste a alma
Beijei-te por dentro
Deixaste-me calma
Sabemos de cor
A canção do Ser
E juntos sentimos
Viver Viver
07/05/12
Eu eu eu eu
A dor que trago hoje
Tentei nomeá-la
E não consigo
Tem qualquer coisa de pó de garganta
E enche de vazio todo o peito
Uma dor que só de si já faz doer
Uma dor sem principio nem fim – como Deus
Uma dor sem meio, uma dor sem jeito
Para onde quer que torne o olhar, tudo me dói
Neste quarto olho os colares coloridos
Pendurados no espelho
E os colares parecem-me tristes e angustiados
São colares de ontem, do tempo que passa
São colares que nunca mais usei
Um a um todos perderam a graça
E no chão do quarto por cima das tábuas
Estão estendidos tapetes que nunca mais pisei
E no tecto falso que me olha altivo
Está o candeeiro que não vou acender
E nas paredes do quarto que me parecem vazias
Estão os quadros todos que eu não queria ter
Esta é uma dor daquelas que não tem nome
Daquelas que nos devora enquanto come
Daquelas que embala para dormir
É uma dor que não tem casa nem tem mesa
É uma dor de quem não tem a certeza
Uma dor de quem não tem como cair
É uma dor como quando temos uma torneira a pingar
Primeiro parece que não há problema
Um dia percebemos que nos estamos a afogar
E era só ter fechado a torneira
Ter mudado a braçadeira
Ter travado a brincadeira
Ter mudado de banheira
Ter parado com a conversa
Que não leva a nenhum lado
A não ser aquele sitio onde as pessoas se afogam
Em palavras e em águas
Águas mornas e paradas
De quem pensa que a razão é o que nos vai salvar
Quando toda a gente sabe que palavra é ternura
E que a água, muito usada, torna-se sempre tão dura
É uma corda que se enrola devagar na cintura
E vai subindo e apertando até chegar ao pescoço
É a angústia que não nos deixa chorar
É a tristeza de te querer abraçar
É o fosso, é o fosso
É a ponte e é o rio
É o vinho e é o pão
É sempre a dizermos que sim
É sempre a dizermos que não
Esta dor que hoje trago
Não a consigo nomear
Vem depois das descarriladas palavras
Que me atingem de frente e de lado
Que nos doem, nos afogam
mas parece sempre tão urgente falar
Num aparelho frio, que desliga
Que depois de se calar e nos calar
É só um aparelho preto, frio e cru
E fica ali sozinho a olhar-nos e acusa-nos
27/04/12
26 Abril
Quando se ama alguém que perdeu a capacidade de nos amar a
meio caminho
Morre-se para sempre, e todos os dias, um pouco sozinho
Quando se tem nas mãos o sangue, da morte do amor, que se tem
Deviam cozer-nos a boca e os olhos para não dizermos mais
nada e nunca mais chorar
Quando se tem amor por quem nos tem grande apreço e amizade
Tornamo-nos metade de algo, ao qual falta metade
Quando se descobre que afinal as cores do arco-íris são
todas preto e branco
Sentimo-nos enganados pela vida que nos fez acreditar nas
cores todas de repente
E depois veio uma a uma retirar devagarinho o que pensámos
nosso
Foi quando percebi que me amavas, que te perdi
Foi quando percebeste que me desfazia por dentro enquanto me
amavas
Que me perdeste
Demos as mãos nesse dia e juramos o mesmo amor
Sem saber que nas tuas ele morria, e nesse dia nas minhas renascia
E foi também nesse momento que te amei mais do que nunca
Antes a dúvida era amor e amor era dor
antes pensava ser - o que sou agora, afinal
mas agora ..
Agora, ama-se muito alguém que diz ter perdido a capacidade de nos
amar
E ser esse mesmo amor que eu matei em ti
E que a rastejar, dorido, forte e sozinho se veio alojar em
mim, é quase demasiadamente pouco
Quando se ama alguém que não nos ama de volta, é como se o
peito se enchesse de balões de ar quente que rebentam… rebentam simplesmente e
magoam
E quando sabemos que éramos amados e estragamos isso com
todo o peso de uma solidão anunciada
E a solidão veio apenas porque pensámos isso…
Quando se ama alguém que não nos pode amar de volta as
coisas deixam de fazer sentido
Porque no amor há coisas que se fazem
Que sem amor não são possíveis de fazer de forma bela
Quando se ama alguém que não nos pode mais amar de volta - é
meio amor
E o amor é das poucas coisas que o facto de ser metade o
anula
Não há meio amor
Como não há meias mesas e meias cadeiras
Como não há meias vontades de ir à casa de banho
Não há simplesmente meio amor
Quando se ama alguém que não nos ama de volta e perdeu essa
capacidade
Somos meia cadeira e meia mesa
Somos meia vontade de chorar
Somos meios feios meio bonitos
Somos a incapacidade para amar
(escrito ao som de)
26/11/11
Dores
Por vezes fico assim comigo
Fixo um ponto branco e mantenho
Baixo os olhos
São demasiadas as coisas que sinto
E foram demais as que já não minto
Quando tentei perder-te e perder-me
Caí sem rede na dolorosa e doce sensação
Dos amores que foram e ficaram no caminho
Tentando sobreviver, tentando viver comigo
Chorando e amando saudosa
Quem se afasta ficando e ousando
Quem fica tentando e tentando
E tudo fazendo e tudo arriscando
Mas nota-se no olhar das tuas mãos
Que já não és o mesmo
E nunca mais me olhaste como me sentias
E transparece a dor que existe em ti
E em mim transparece tudo porque nada tenho
A vida caiu-me em cima e eu deitada
Mais uma vez na vida a aceitei
A vida que me deu pouco ou mesmo nada
Oferece-me agora os teus olhos
Para eu ver
Como se ama
Como se sofre
Como se perde devagar
Como se ama tanto
E a perda é como uma sombra que segue
Calada fria quieta
A espera de se instalar
E pudesse eu aproximar-me do corrimão da vida e saltar
Deus meu com que ingratidão vivo dentro
A cada despedida morro
A cada alvorada só volto a morrer
Mas quem não tem vida não tem corrimão
Não tem pernas p saltar nem tem opção
E quem não vive não pode morrer
E o que eu dava, ó Deus o que eu dava
Para hoje ser outra, ser a tua mulher
14/11/11
Desumanamente te Amo
Aninhada em mim, me enrolo
em câmara lenta, o mundo passa
não faço parte do mundo, e choro
e metade de mim está morta, está baça
Os meus ouvidos não ouvem
o que as pessoas têm para me dizer
Vejo-as mexer os lábios, falam comigo
Olho-as desinteressada e não quero saber
Enquanto não cruzas a esquina
Enquanto o teu carro não chegar
Aninhada em mim, me enrolo
e não vivo, não respiro, não choro
não como, não durmo, não oro
não sinto, não oiço, não vejo
cada hora que passa é um ano
em que sinto apenas, no peito
que Desumanamente te Amo!
em câmara lenta, o mundo passa
não faço parte do mundo, e choro
e metade de mim está morta, está baça
Os meus ouvidos não ouvem
o que as pessoas têm para me dizer
Vejo-as mexer os lábios, falam comigo
Olho-as desinteressada e não quero saber
Enquanto não cruzas a esquina
Enquanto o teu carro não chegar
Aninhada em mim, me enrolo
e não vivo, não respiro, não choro
não como, não durmo, não oro
não sinto, não oiço, não vejo
cada hora que passa é um ano
em que sinto apenas, no peito
que Desumanamente te Amo!
28/10/11
Uma verdade qualquer
Não bastaria chorar a alma toda
nem calar a dor que existe em mim
Não poderia viver assim fechada
Nem poderia amar quem eu perdi
Quando me afastei sem ser verdade
Quando me calei para não mentir
foi quando dei largas à saudade
e que ofereci a dor ao meu sentir
Trago nas costas a cruz das tuas mãos
a acariciar a alma que me dói
Trago no peito um parco coração
que apenas sabe a verdade do que foi
A mentira da minha mão na tua mão
A dureza de sermos um num corpo a dois
Quando a ternura se enrolou no meu pescoço
nunca esperei que pudesse ser saudade
Quando a loucura se instalou à minha beira
nunca pensei que pudesse ser verdade
Quando a verdade é parte da mentira
quando o Amor é dor e solidão
Cai-nos um manto escuro sobre a vida
E tiram-nos o tapete do perdão
Não bastaria arrancar estes meus olhos
Para perder a ânsia de te ver
mesmo sem eles sei ver que esta mentira
é igual a uma verdade qualquer...
22/09/11
(n sei)
Abri o peito à ternura de te reconhecer
Vivi a vida como quem não quer morrer
Chamei ás pedras nomes e falei-lhes de ti
Elas não disseram nada, e eu nada previ
Abri o peito à vontade de te amar
Abri as pernas e deixei-me penetrar
Abri a boca e abri o coração
Abri os braços e abri uma excepção
Fechei os olhos ao que não queria ver
Fechei a porta ao meu direito de ser
Tranquei as palavras todas que te podia oferecer
Rasguei os vestidos todos
Larguei a esperança no chão
Pisei os direitos dos outros
Esmaguei o que tinha sonhado
Parti o meu coração
Colei pedaços de céu
A uns pedaços de mar
Voltei as costas a vida
E continuei por ali
A errar, a andar, a sonhar
Colei a tua imagem
A uma imagem de deus
Para ver se me esquecia
Que és homem e que es humano
Que és belo e me fazes bem
Que não te posso tocar
Não por seres demónio ou santo
Mas seres tão simplesmente
Toda a razão do meu pranto
Abri o peito de novo
Vazia de qualquer dor
Chorei toda a água que tinha
Sequei todo o meu amor
Lancei-me à agua do mar
Lancei-me ao rio e voltei
Andei à chuva, molhei-me
E nem sequer sei o que sei
Abri um capitulo na vida
Escrevi-o as cores e sorri
Fiz um livro, fui feliz
Mas a vida
Sempre a dizer-me…
Não vas por aí….
Tenho medo do futuro
Tenho saudades de mim
Queria poder ter tudo
Queria dar-te a minha mão
Ser fiel a quem eu sou
Não viver na solidão
21/09/11
Quantas vezes
Quantas vezes não soubeste que decisão tomar na tua vida e te sentaste debaixo de uma árvore apenas a olhar e a sentir?
Quantas vezes deixaste passar demasiado tempo no tempo que tinhas para decidir?
Quantas vezes não disseste algo por teres algumas dúvidas disso, e quando a certeza veio, já não estava lá ninguém com quem falares?
Quantas vezes contaste pelos dedos os dias que faltavam para um evento tão especial e que afinal nunca chegou a acontecer?
Quantas vezes aconteceram coisas tão especiais e não estavas a espera?
Quantas vezes não soubeste o que dizer e mesmo assim não te calaste?
E quantas vezes devias ter dito tudo e nada saiu?
... Quantas vezes mais vais esperar e deixar a vida passar!
Quantas vezes achas que vais viver?.
23/08/11
Futuro incerto
Uma semana depois de nada
aquela madrugada foi tudo.
O caminho ia-se fazendo
à medida que os pés avançavam
e cada passo punha à prova
a incerteza de não saberem bem para onde iam
A linguagem fazia-se entre a copa das árvores
e o chão onde a folha era pisada
Os taxis deixaram de ser precisos,
assim como os autocarros, o metro e todos os transportes
Porque o espaço que separa,
passou a ser uma coisa sem grande significado
O espaço deixou de ser um lugar
para ser em todo o lado.
Ela nunca mais sorriu e
nunca mais chorou da mesma maneira
E ela nunca mais viveu semelhante alvorada
Ele não sabia amar, e, no entanto não sabia ele fazer mais nada
e todos os dias, apesar de não saberem,
ele foi amado, ela foi amada.
Cruzaram-se muito antes de se conhecerem
amaram-se até muito depois de se largar
A vida juntou-se ao tempo e foi cruel
Viveram longe muitas e muitas noites,
mas nunca mais encontraram aquela madrugada
Viram uns barcos à deriva sem encontrar o norte
Viram gaivotas loucas e esfomeadas, largadas à sorte
Viram crianças e luas, viram barcos e comboios a partir
e foram os dois juntos tudo onde n se podia ir...
uma semana depois da madrugada
um mês depois de duas noites sem dormir
um ano depois de tudo o que aconteceu
ninguém sabe como estes dois vão viver juntos
sem nunca mais se encontrar
ninguém sabe se se amaram realmente
se foi só vontade de Amar
mas nos passos incertos que os separa e aproxima
nos dias que anoitece sem razão
quando virem uma sombra fugidia
13/08/11
Discussões com o divino
Deus falou comigo hoje
Nunca me tinha antes dado atenção
E hoje veio falar comigo, e disse
- Não venho como teu irmão!
Veio dizer-me o que eu já sabia
Que nunca esteve lá para mim.
Veio dizer-me que a minha vida
Não vai terminar fácil assim
Pus-me em bicos de pés para me fazer maior
Cerrei os punhos para não me desfazer
Olhei nos olhos aquele que me pôs cá
E lá no fundo senti-o tremer
Que queres tu? perguntei devagar
Fixando a sombra que me quer ver mal
Vieste aqui para ver-me penar
Podes voltar para o teu lamaçal
Então Deus falou comigo e disse
Se Eu sou Tu e Tu és Eu…
Se tudo o que existe, vem de nós
Porque me culpas dessa vida triste
Porque me acusas, sem saber se existe
A escolha tua ou a vontade minha
Que muda tudo e que tudo altera
Que faz nascer sempre a primavera
Que faz morrer todo o Homem bom
Porque me dizes que não faço nada
Quando quem caminha por essa estrada
És tu e és quem decide, se quer a noite ou a alvorada
Se quer viver em pé ou deitada
Se quer amar ou ser amada
E tu que escolhes arrogante
Sempre o caminho errante
Queixas-te a quem te ouvir
Sem pensar que também Deus
Só abre a porta a quem quer sair!
(premonições ou medos??)
Tu foste a saudade que vi partir
Num dia de chuva num dia qualquer
Tu foste a mentira que me faz sorrir
Por um dia fui tua e fui mulher
Tu és a tristeza que em mim ficou
O dia de chuva que não vê o sol
O dia mais triste a agua mais fria
A boca mais quente que já conheci
E a mais selvagem que já provei
O corpo mais firme que tive no meu
Também dos melhores que já abracei
Uma mão amiga que me apoiou
Um sorriso lindo que me aconteceu
Mas vi-te partir num dia de chuva
E vi-me ficar para trás a chorar
Por não te ter visto mais na minha rua
Por na tua vida não ter lugar
E sei que não vou pedir nada
E sei que nada vais dar
Mas sei que não devo estar triste meu bom amigo
Sei bem que é assim que tem de ser
E tenho que guardar esta pena
De te ter perdido por te conhecer
Tu foste a saudade que ficou em mim
O belo momento que não vou esquecer
Tu foste a verdade que me pôs assim
Entraste inteiro dentro de mim
Colaste os pedaços do meu coração
Chamaste-me amiga, chamaste-me irmão
Chamei-te poema, dor e paixão
Descansei no teu corpo
Naveguei-te na alma
E ao entrares em mim trouxeste-me a calma
E deste-me esperança de voltar a tentar
Sem doer, sem pedir, sem magoar
Sei bem que não fui amada
Talvez e apenas um desejo no mar
De qualquer maneira obrigada
Ao meu estranho modo toda a vida eu vou-te amar
E nunca se amará ninguém melhor
Eu sem nunca saber o que tu sentes
E sequer perguntar á tua boca calada
Sem que eu do meu nunca te diga nada!
08/08/11
Vidas Perdidas - por Miguel Esteves Cardoso (o Grande)
sexta feira13
Foi deus que se enganou e abriu uma porta
que afinal era uma janela, que afinal não era nada
Foi a deusa que brincou, com o seu sentido de humor
Que pegou naquela letra e a transformou
Um doce rumor num amor, que depois se desligou
Tinha moedas de algodão e cafés de chocolate
Tinha lençóis de flanela, que afinal eram de linho
E caraçóis em cabelos, todos feitos de carinho
Tinha mãos que não se davam, tinha lagos de suor
A saber a lábrimas, a saber a tudo menos a amor
E no entanto
Havia memórias futuras que não
serviam para nada
porque o passado de um, era o futuro do outro
porque o passado de um, era o futuro do outro
E uma história p’ra trás com um
vazio quase rente
Das vidas
que se cruzam mas que andam sempre em frente
e lábios doces e duros que nunca
disseram tudo
Porque a palavra nunca podia ser
dita
Nem podia ser escrita, nem pensada mas
também não podia ser rasgada
Foi deus que se enganou, foi a
deusa que brincou
Foi a saudade que fica num corpo
que parecem dois
Foi verdade, foi mentira, foi o que
não pode ser
Como a alegria que vem antes do
acto e da dor
Da palavra esmigalhada que só podia
ser Amor
02/08/11
Ver as coisas de modo diferente daquilo que vejo, ou antevejo!
Ás vezes gostava que não fosse assim.
Adormecer simplesmente quando chegasse à cama e não estar a visualizar todos os contornos das pessoas que me são queridas.
Não saber mais nada a não ser o que aprendi, o que me foi ensinado e o presente.
Não saber mais nada…
Não querer mais nada…
Ás vezes gostava de ser humana e preocupar-me com coisas pequeninas.
Gostava de não conhecer anjos do céu... não conhecer o céu
Não conhecer os demónios, nem o inferno. Gostava de ver só aquilo que se vê, e não ter de estar constantemente a disfarçar e lutar com o que sinto, em mim.
Gostava também de ter nascido sem asas… e de não sabe voar.
Não ter a cabeça tão cheia de estrelas e de mar.
Gostava de não ter de guardar todas as conchas e todas as pedras que já foram eu e que me pertencem.
As vezes gostava de ser normal, de ser humana. De não ouvir…
Gostava de não saber avaliar os sinais… não os ver sequer.
Gostava de ter só amigos simples.
Gostava de não sentir falta do Grande Amor que me está destinado, ou então de cada vez que nos cruzássemos (eu e o grande Amor) não estivéssemos sempre tão distantemente entrelaçados…
Gostava de não ter certezas.
Ou então gostava de as poder utilizar…
De vez em quando gostava de ser abraçada com ternura.
Ter um Amigo perto todos os dias. Partilhar…
Gostava de não ser só carne… ou só intelecto.
Gostava de ser apreciada como me aprecio.
Vista como eu me vejo.
Gostava que o amor estivesse ao meu alcance cada vez que me deito… contigo.
Ou então gostava que isso não me fizesse diferença, (mas faz um bocadinho).
Gostava que não me apetecesse estar completamente sozinha… só para estar contigo.
Gostava era de nascer outra vez e não saber nada do que sei hoje, nunca!
Gostava de ter apenas o objectivo simples, de toda a gente, e de não ter de seguir com o olhar, uma borboleta branca desde há muito tempo, que nem sei onde me vai levar… mas é lá!
E gostava de compreender tudo aquilo que sei.
E de não saber tudo aquilo que compreendo.
Talvez, de não ser sempre tão sinceramente compreensiva…
Mas gosto de ser eu, e no fundo, gosto de ser assim porque fui eu que me construi…
Só que ás vezes… gostava de ser abraçada com ternura… e poder permanecer assim…
10/07/11
A cidade amanheceu cheia de luz e com cheiro a caldo verde e a passeios de mãos dada.
As paragens de autocarro são locais tranquilos quando amanhece a cidade.
Os bares a fechar, os cafés a abrir, o cheiro a bolos e a rua lavada.
O cheiro do rio que acompanha a cidade que tem a cor doce de quem nunca se amou nem nunca se tinha amado antes…
e os dois de mãos dadas esperam um autocarro para lado nenhum,
e esperam que o táxi não chegue ou apenas esperam, sem motivo aparente, que a vida se esqueça que os dois existem e os deixe ficar ali, apenas a permanecer.
A cidade amanheceu cheia de luz e cheia dos dois, pela primeira vez.
Há cheiro a croissants e torradas com manteiga no ar.
Há o sabor amargo na boca de um sonho que não pode ser, nem pode acabar.
Há um não ter de ser ou de parecer.
Há uma vontade louca de ficar, uma musica clássica no ar…
...e fechado o circulo o carro pára onde há muito tempo se cruzaram mas nunca se encontraram.
O carro pára e a vida continua.
A manhã deixou de amanhecer, tu deixaste de ser meu… eu deixei de ser tua.
Agora há uma paragem de autocarro silenciosa à espera que os dois ali voltem; um caldo verde que já não existe, á espera de ser comido; uma musica à espera de ser dançada; uma pedra da rua à espera de ser pisada…
E talvez Lisboa nunca mais amanheça enquanto estes não se voltarem a encontrar, no desencontro de uma noite simples, ou na simplicidade de uma noite desencontrada!
Sei que vou perder-te quando a noite chegar
E sei que por mais que ame, nunca mais eu vou Amar.
Sei que vou perder-te quando a noite chegar
E sei que por mais que ame, nunca mais eu vou Amar.
02/05/11
Faz de mim todas as mulheres
Irmã, Amante, Amiga
O que quiseres
Sou nuvem, sou estrela perdida
Faz de mim todas as mulheres!
Gostei! Gostei do teu sorriso
E de tudo o que não tiveste tempo de dizer.
Esse teu jeito, esse teu improviso,
Essas tuas mãos esse teu saber…
Não te peço mais do que me dás,
Dou-me só até onde quiseres.
Sou o sol nascente e não sou nada,
Faz de mim todas as mulheres!
E se me deres a mão, eu dou!
Esse me chamares, eu vou!
E se não me quiseres, avisa-me
Com um desses teus frios olhares
Irmã, amante, amiga
O que quiseres
Deita-me na tua cama, beija-me
Faz de mim todas as mulheres!
Gostei das nossas conversas
E do que ficou por dizer.
Gostei da tua mão na minha
Gostei de te dar prazer!
Deita-me de costas, abraça-me forte
Mostra-me as estrelas que trazes na alma.
Investe sobre mim, indica-me o Norte,
Olha-me directo, oferece-me a calma…
Faz de mim Irmã, Amante ou Amiga
E conta-me as histórias que quiseres
(eu dou-te o que sentir que precisas)
Faz de mim todas as mulheres!
21/03/11
Apelo Desesperado
Perdi o Amor
E vou por um anúncio no jornal
Para ver se o posso encontrar
Porque eu perdi…
Perdi talvez a coragem para amar
Olhem que eu perdi o Amor e não sei quando
Talvez estivesse num café
E ao poisá-lo perto de um cinzeiro
O tivesse, sem querer, deixado lá
E se estiverem a fumar
E virem o meu amor perto das cinzas
Se virem no cinzeiro o meu Amor
Ai avisem-me, avisem-me por favor
Ou então foi quando eu fui ontem à praia
Que o deixei cair à beira mar
Talvez as ondas o tenham levado
E agora os peixes sabem amar
Ai mas se o virem numa onda, ou numa concha
Ou se alguém pescar o meu Amor
Antes de o venderem no mercado do peixe
Ai avisem-me, avisem-me por favor
Perdi o Amor e não consigo saber onde
Nem em que dia foi que o perdi
Talvez o tenha deixado lá em casa
E sem o ver, ele esteja mesmo ao pé de mim
Pior que isso foi se o larguei na estrada
E lhe passei por cima com o carro
Ai, e se eu matei o meu Amor, como é que eu faço?
Alguém me diz aonde o posso achar?
Até lá o melhor é ficar calada
Que chatice, agora não tenho Amor para dar
Se alguém o vir numa gaveta dos papeis
Ou na caixinha dos anéis
Ou pendurado num cabide, o meu Amor
Eu até dou uma recompensa
Mas avisem-me, ai avisem-me por favor
Porque ninguém vive, nem come, nem respira
Porque ninguém pode amar sem ter Amor!
03/03/11
Um dia vou Voar
Mulher pequenina
porque te ausentas tu?
Recordas um passado que já não é o teu
Choras por sombras que não voltarão mais
Voas por campos que não vais alcançar
'Ó pequena mulher, contenta-te!
Contenta-te que o teu destino é outro
O que sonhaste para ti não é verdade
e não é verdade que não o soubesses'
Tu sabes pequena, tu sabes
Desde que o espelho te mostrou a tua imagem
e tu choraste por causa de um cavalo
Sofrer é a causa porque vives
Contenta-te mulher tu és só isso
Contempla a tua queda vagarosa
És nova
Ainda tens muito que penar
Porque sorris minha mulher pequenina?
Porque dizes:
" Um dia, meu Amor, eu vou Voar!"
porque te ausentas tu?
Recordas um passado que já não é o teu
Choras por sombras que não voltarão mais
Voas por campos que não vais alcançar
'Ó pequena mulher, contenta-te!
Contenta-te que o teu destino é outro
O que sonhaste para ti não é verdade
e não é verdade que não o soubesses'
Tu sabes pequena, tu sabes
Desde que o espelho te mostrou a tua imagem
e tu choraste por causa de um cavalo
Sofrer é a causa porque vives
Contenta-te mulher tu és só isso
Contempla a tua queda vagarosa
És nova
Ainda tens muito que penar
Porque sorris minha mulher pequenina?
Porque dizes:
" Um dia, meu Amor, eu vou Voar!"
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