Apaixonei-me por todas as tuas falhas
Aconcheguei-te e adormeceste-me nos braços.
A minha falha foi apaixonar-me para sempre
Por todas as tuas falhas.
Aguardo suavemente que acordes e repares
Que sou, hoje, uma das tuas falhas.
Destinado apenas a guardar e, no entanto, manter visível a mim e ao mundo os meus pensamentos, palavras e sonhos. Para que nunca os esqueça, para que recorde a sua importância na minha vida passada, presente e futura e para que em algum lado se mantenham firmes. Todos os direitos de autor reservados.
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19/08/13
17/08/13
Quando pensava
que nunca mais te ia respirar
Inalo-te!
Ofereces-me
palavras como se fossem flores amarelas
Aceito-as!
Aceito as
tuas palavras como se fossem as minhas
reescrevo-as!
Falas como
quem abraça e é no silêncio que me dizes tudo
Cala-te!
É na
distância que nos incendiamos, hoje
Vem!
Trazes os
bolsos cheios de pedras
Larga-as!
Trazes as
costas cheias de penas
Voa-as!
Trazes as
mãos cheias de escamas
Devolve-mas!
Trazes
nesses olhos doces tanta ternura
Que ninguém
diria que um dia me deixaste
E pensaste
que eu nunca mais ia ser tua...
16/08/13
Já sei quem sou
Já sei quem sou
Fecho os olhos e acabo de me inventar
De uma caixa de música sai um som
Sou eu lá dentro
Tenho pedaços de vidro
E tenho pedaços de mar
Tenho pedaços de mim
Sem nome para lhes dar
Tenho memórias de um Eu
Que dança tão devagar
Tenho estas mãos nos bolsos
Sem nada para entregar
Já sei quem sou
Sou a lava que arrefece
Depois da grande explosão
Sou língua que lambe o mundo
Sou gente sem coração
14/08/13
Não quero a liberdade
Podia amar-te um milhão de vezes
Como se todos os dias fossem a primeira vez.
E podia deixar-te um milhão de vezes
E dizer-te, novamente, Nunca mais.
É no limbo que me encontro
Onde me perco.
É no teu silêncio, que me detesto.
Podia mudar a mobília de sítio...
E fingir que nunca fizeste parte desta casa.
Podia libertar os pássaros todos que me habitam
E nunca mais dormir com almofadas
É no voo de cada pássaro que me enterro
E em cada enterro, me liberto
E em cada liberdade me perco de novo
Porque cada liberdade é o teu silêncio
E eu, não quero a liberdade...
Como se todos os dias fossem a primeira vez.
E podia deixar-te um milhão de vezes
E dizer-te, novamente, Nunca mais.
É no limbo que me encontro
Onde me perco.
É no teu silêncio, que me detesto.
Podia mudar a mobília de sítio...
E fingir que nunca fizeste parte desta casa.
Podia libertar os pássaros todos que me habitam
E nunca mais dormir com almofadas
É no voo de cada pássaro que me enterro
E em cada enterro, me liberto
E em cada liberdade me perco de novo
Porque cada liberdade é o teu silêncio
E eu, não quero a liberdade...
03/08/13
Olhar
A musica tocava e os teus olhos ainda não tinham chegado
E a noite desenrolava-se porque não tinha mais nada para fazer
O dia tinha passado, leve, lento, como outro dia qualquer
E toda a gente se movia como se nada fosse acontecer
Vozes, pratos, risos, copos e de repente, a sensação...
Estranhei e não liguei, porque era a sensação do que não pode ser
Mas os meus olhos, teimosos, foram procurar os teus
E os teus olhos já lá estavam e encontraram os meus
A musica tocava e não compreedemos o que se passou
Quando por momentos, a musica parou e o olhar se encontrou
Num silêncio fundo, onde o tempo não pode existir
Mas a vida pára e por segundos não se pode fugir
Fomos apenas duas almas que se encontraram num olhar
Talvez eu tenha sorrido ou talvez não
Talvez o tempo tenha ficado ali parado
À espera de um qualquer dia de verão
A musica continuou e nunca mais se pensou
Naquele olhar inquieto cheio de palavras p’ra dizer
Reencontrámo-nos ali, como se nunca nos tivéssemos conhecido
E toda a gente se movia como se nada tivesse acontecido
Talvez se tenham encontrado mais olhares assim...
Num baile de musicas trocadas como se fossem olhares
Num olhar onde tudo fica por compreender
Ler a ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=5j1nMp1kHPg&feature=share&list=FLQ8wkv1Y9EpuDvvcZVcpx1Q
24/07/13
Anahata
1º
De novo te amo
Como nunca deixei de te querer
De novo me queres
Como nunca deixaste de me amar
E a pele arrepia percebendo que o tempo já passou
Que o vento acalmou, que a asa voltou, que a água molhou
2º 3º
Que o silencio dos dias não foi sem razão
Foi o tempo e o espaço, foi o norte e o sul
E foi a boca calada retendo a tesão
4º
O Abraço enrola
Este corpo já quente
O olhar asfixia
Toda a forma de Ser
Desfolhas-me inteira, como seu fosse um livro
E a cada página te tornas mais meu
5º 6º
Entrego o meu corpo, entregas-me o teu
Mais livres chegamos à forma do Ter
E sinto-te dentro, moves-te, como se fosses eu
7º
Acalmadas as hostes
Descansados os guerreiros
Poisadas as armas
Bebemos a água um do outro
e encontramos o caminho da luz e da paz
Hasteamos devagar a bandeira da verdade
Lamentando baixinho, mas sem mágoa
Aqueles que foram deixados para trás
20/07/13
Jusante
Como a água corre, eu danço
Eu danço mas a água não se comove
Contorna as pedras do caminho
Desvia, Desagua, Evapora
E a água que trago comigo
Demora, demora...
Como a água é doce
E eu tão salgada
Como o rio é longo
E tu tão distante
Como cada Não
Não serve de nada
Porque a água corre sempre p'ra jusante
Eu danço mas a água não se comove
Contorna as pedras do caminho
Desvia, Desagua, Evapora
E a água que trago comigo
Demora, demora...
Como a água é doce
E eu tão salgada
Como o rio é longo
E tu tão distante
Como cada Não
Não serve de nada
Porque a água corre sempre p'ra jusante
12/06/13
Fui
Um dia fui
A medida de todas as tuas coisas
O padrão nunca visto numa delicia de ser
Fui o copo e fui o prato
Um deslumbre de mulher
Um dia fui metade
Em tudo o que tinhas inteiro
Fui um livro que já leste
Fui cigarro, fui cinzeiro
Outro dia fui balão
E com ar frio, eu voei
Viu-se o que não pode ser
Fui rapidez e parei
E um dia, calmamente
Fui uma tarde a chegar
Fui criança a rir contigo
Fui vontade de brincar
E um dia fui tão longe
Que nunca mais me encontrei
Na medida dessas coisas
Fui quem parte
Fui quem chega
Fui quem nunca mais serei
A medida de todas as tuas coisas
O padrão nunca visto numa delicia de ser
Fui o copo e fui o prato
Um deslumbre de mulher
Um dia fui metade
Em tudo o que tinhas inteiro
Fui um livro que já leste
Fui cigarro, fui cinzeiro
Outro dia fui balão
E com ar frio, eu voei
Viu-se o que não pode ser
Fui rapidez e parei
E um dia, calmamente
Fui uma tarde a chegar
Fui criança a rir contigo
Fui vontade de brincar
E um dia fui tão longe
Que nunca mais me encontrei
Na medida dessas coisas
Fui quem parte
Fui quem chega
Fui quem nunca mais serei
23/03/13
Dissimulada
Pensas que o manténs preso
a uma culpa que te pertence
Pensas mover-te sem ninguém a reparar
mas usar a culpa como arma é cobardia
de quem já não tem mais onde se agarrar
Chamas amor às grilhetas que hoje usas
Como quem veste de passado o que lhe agrada
finges um rasto de desgraça à tua volta
vejo-te bem e claramente dissimulada!
Por tentativas vais mentindo a cada passo
A vida roda e brevemente o saberás
desejo a ti o que desejas pra mim
deus é amor, devolve-te o que tu dás
E depois do amor, que me envolve o corpo todo
fico quieta, pois sei que de nada padeces
e agarrada à noite e a numerosas preces
rogo veemente - Deus te dê o que Mereces!
17/03/13
Esperança
Sentir a pele na pele
O respirar no respirar
O calor no calor
O Amar no Amar
Sentir a tua entrada brusca
A tua saída com vontade de ficar
A tua lingua em mim, acalenta
A vontade que tenho de me dar
Sentir o Amor que me tens
Uma espera que ao mar se lança
Que volta na onda crispada
Em forma de Amor e esperança
12/03/13
Uma noite sem ti
Uma noite sem ti
É meia noite
Uma noite contigo são
Duas noites e meia
Depois de mais cinco noites,
Tu e eu, juntos
Arde o anjo nas brasas de uma Sereia
Ardem entranhas feitas de peixe e de sal
Queima a saudade de quem tem, de uma vida, meia
Queima o silêncio que não estraga o Bem, mas faz Mal
E vem o Tempo que não nos dá horas que cheguem
Rouba meio dia só para te ver chegar
E dia e meio para poderes ficar
E em meia noite te amo como em dois dias
Sempre que nos vêm compreenderão, qualquer dia em nós
Que um dia são dois dias, e todas as noites, tardes são.
O tempo da neve, da chuva ou o tempo do Verão
E vai-se o Tempo em meias noites de espera
É tudo a mesma coisa, noite e meia ou meia noite
Noite nenhuma contigo ou sem ti, nunca é em vão
É porque existes, é porque existo eu
Que o Tempo tarda sempre, em chegar
É porque o Norte nunca mais se viu
Que a Sul a tarde chega sempre devagar
Todas as noites deito o tempo ao largo
Como algo doce e como algo amargo
Afogo o que sinto num mar inteiro de solidão
E chamo ao que sinto compreensão. Compreensão. Compreensão.
E quando finalmente, não entendo o tempo que falta
Nem sei o que isso será, se o tenho na mente ou no coração
Pego em meia noite, e rezo a vários deuses
Está na tua mão, na tua mão, está na tua mão
E penso no tempo que me falta, tantas noites meias , tanta lua
alta
E compreendo que afinal o que sabia
É que tu e eu, se o tempo não nos salva
Teremos um do outro, afinal e só, solidão solidão solidão
Se uma noite sem ti é meia noite
E uma noite contigo, duas e meia são
Falta apenas uma hora neste tempo, é a hora do perdão
Compreenderão….
01/03/13
Conjugação
Eu
Tu
Ele
Nós
Vós
Elas
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus...
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós..."
Depois do Verbo conjugado, da carne consumada, da terra queimada
O Vazio
Depois do Vazio o Sol, e o Sol era explosão, era vida e era pão
era roupa de algodão, era carne e era peixe, era o Verbo em ebulição
Depois do Vazio a Lua, e a Lua se faz mar, e o mar que tudo transporta
fez abrir aquela porta para o Verbo, enfim entrar
E entre nós era o Verbo, e entre nós era a carne, e entre nós era Deus
E entre nós se fez tarde, e a tarde se fez Lua
Quando me recebeste o Verbo, quando me recebeste nua
Quando passaste a ser meu e eu passei a ser tua
Quando a carne deu a benção e a terra renasceu
Quando o Sol nasceu à noite, e a noite amanheceu
Quando pensámos perdido todo o Verbo no Amar
Voltámos tudo ao princípio, Eu e Tu recomeçar!
Eu
Tu
Ele
Nós
Tu
Eu
Tu
Ele
Nós
Vós
Elas
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus...
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós..."
Depois do Verbo conjugado, da carne consumada, da terra queimada
O Vazio
Depois do Vazio o Sol, e o Sol era explosão, era vida e era pão
era roupa de algodão, era carne e era peixe, era o Verbo em ebulição
Depois do Vazio a Lua, e a Lua se faz mar, e o mar que tudo transporta
fez abrir aquela porta para o Verbo, enfim entrar
E entre nós era o Verbo, e entre nós era a carne, e entre nós era Deus
E entre nós se fez tarde, e a tarde se fez Lua
Quando me recebeste o Verbo, quando me recebeste nua
Quando passaste a ser meu e eu passei a ser tua
Quando a carne deu a benção e a terra renasceu
Quando o Sol nasceu à noite, e a noite amanheceu
Quando pensámos perdido todo o Verbo no Amar
Voltámos tudo ao princípio, Eu e Tu recomeçar!
Eu
Tu
Ele
Nós
Tu
Eu
27/02/13
Sexta feira foi um poema
Acordei e as asas do anjo já estavam na minha direcção
Olhei à volta porque eu ainda não sabia
e inspirei o que pensava que ía ser o dia
E aguardei a pensar, ele não vem, não!
Mas o anjo viajava pela estrada, longamente
Na tarde crua que trazia chuva e vento
E eu a carne, o vinho, o queijo, o momento
E ele as penas, a vontade e uma semente
Trazia um livro, uma pedra e tanto ardor
Abri-lhe a porta já a tarde ía escura, e pensei
Como é que um anjo pode ter tanta ternura, e ousei
Despiu-me as roupas como quem veste o Amor
Adormeci com as asas do anjo enleadas no meu ventre
Depois do sangue, do suor, do sal, do mar
Depois de ser, de ter, sentir, rasgar, amar
Adormecemos um no outro, lado a lado, docemente
Sexta feira é um poema
Sábado ressureição
Domingo culpa suprema
E o resto da semana
Onde caminha a verdade
É uma cama onde durmo
onde acordo e de repente
É um leito de saudade!
19/02/13
Tanto
Tanta areia , tanto mar
Tanto vento no olhar
Tanta onda desabrida
Tanta ansia de chegar
Tanta água, tanta chuva
Tanta areia no meu peito
Tanto sonho inacabado
Tanto coração desfeito
Tanto céu e tanta terra
Tanta terra por lavrar
Tanta gaivota no ar
Tanta ferida por sarar
Tanta alma, tanto sangue
Tanto amor neste meu mar
Tanta dor neste meu peito
Tanta forma de chorar
08/02/13
Serafim
Tanta coisa dentro, tanta hora leve, tanta solidão desenfreada
Tanta gente forte, tanta forma breve, de te amar assim desalinhada.
É a preto e branco e não é a cores, que me reconheço, junto a mim
nessa hora quente, que nunca mereço, onde o tempo passa, Serafim...
Tanto braço solto, tanta mão macia, dentro da vontade de chegar
Onde a letra morta, cabe na saudade, de não ser nunca hoje, o abraçar.
Quando a tecla seca, me lembra nos dedos, que o dia vai já chegar ao fim
Eu me engano e tusso, para não chorar, pelo meu amor, Serafim...
Num certo moinho, onde a certa mão, a minha cintura enleia...
E meus negros cabelos, molham o teu corpo, enquanto me chamas, Sereia
Amas como se o amanhã não houvesse, e o ontem chegasse, enfim
Amo como posso, com tudo o que tenho, o meu doce irmão, Serafim...
O céu e o mar nunca se encontraram, como nesta vida, e então
Anjo e Diabo, olham-se nos olhos, beijam-se na boca, perdão.
Amanhã será o derradeiro dia, do caminho e da decisão
E toda a palavra, que não vai ser dita, tem o peso de uma canção
e Diabo e Anjo amam-se de novo, dentro desta Eu, que é - mim
e ajoelhado, me prometes tudo, anjo adorado, Serafim...
O futuro incerto, o passado fresco, a faca que tudo cortou
Serve agora o nobre pretexto de quem afinal, nunca amou
Fixas o meu ventre, na esperança da vida e descansas dentro de mim
E na incerteza de uma vida ou não, morro-te na mão, Serafim.
Tanta gente forte, tanta forma breve, de te amar assim desalinhada.
É a preto e branco e não é a cores, que me reconheço, junto a mim
nessa hora quente, que nunca mereço, onde o tempo passa, Serafim...
Tanto braço solto, tanta mão macia, dentro da vontade de chegar
Onde a letra morta, cabe na saudade, de não ser nunca hoje, o abraçar.
Quando a tecla seca, me lembra nos dedos, que o dia vai já chegar ao fim
Eu me engano e tusso, para não chorar, pelo meu amor, Serafim...
Num certo moinho, onde a certa mão, a minha cintura enleia...
E meus negros cabelos, molham o teu corpo, enquanto me chamas, Sereia
Amas como se o amanhã não houvesse, e o ontem chegasse, enfim
Amo como posso, com tudo o que tenho, o meu doce irmão, Serafim...
O céu e o mar nunca se encontraram, como nesta vida, e então
Anjo e Diabo, olham-se nos olhos, beijam-se na boca, perdão.
Amanhã será o derradeiro dia, do caminho e da decisão
E toda a palavra, que não vai ser dita, tem o peso de uma canção
e Diabo e Anjo amam-se de novo, dentro desta Eu, que é - mim
e ajoelhado, me prometes tudo, anjo adorado, Serafim...
O futuro incerto, o passado fresco, a faca que tudo cortou
Serve agora o nobre pretexto de quem afinal, nunca amou
Fixas o meu ventre, na esperança da vida e descansas dentro de mim
E na incerteza de uma vida ou não, morro-te na mão, Serafim.
07/01/13
02/11/12
Nascemos na Paragem
Nascemos na
paragem
Entre o que
transporta e o que é transportado
Entre a
miragem do que inicia a dor e a dor do acabado
Sentados e
juntos nascemos na margem
Nascemos na
paragem do futuro incerto
Dos minutos
contados fizemos o tempo
E o tempo
passava a nascer na paragem
Sentados e
juntos nascemos na margem
Nascemos na
paragem ou à margem de um mar
Que vai do
Ser ao saber, e vai do ter ao guardar
Barco à vela
ou autocarro que não sabe navegar
E sentados
nesta margem tudo se há-de passar
Pois sentados
na paragem logo depois de nascer
Viu-se a
lágrima no homem, viu-se o que não pode ser
Estava ele e
estava ela na paragem do saber
Viu-se
adultos já cansados acabados de nascer
E sentados
na paragem do movimento do som
Fez-se um
filme colorido que a preto e branco se viu
Escreveu-se
um livro em prosa que em poesia saiu
Dizem que se
amavam muito mas nunca ninguém sentiu
Nascemos na
paragem e lá temos de voltar
Tapa os
ouvidos ao mundo não há nada pra contar
São
migalhas, cardos, fados, prosas, tardes ao luar
Que sentados,
juntos na margem
Nós vamos
reinventar.
julho 2012
01/11/12
Não basta
Não basta apenas ser o corpo que te pertence
Não basta querer-te desta vez e sem pensar
Não basta ser a alma e o coração
Não basta amar...
Se a vida fosse só uma forma de morrer
Se a morte fosse tudo o que temos a receber
Se te bastasse o que sentes, o que sou
Não me porias onde sei que estou.
Há dias que começam no final
e outros que terminam no principio
Há conversas que nunca foram tidas
saudades que nunca foram vividas
Há uma Lua no solstício de Verão
um Sol que não pára de chover
Há um beijo que nunca vou esquecer
um carro que desce a rua devagar
Há uma doida vontade de ficar
e a urgência de saber o que é real
Há a calma de quem quer perceber
Há também qualquer coisa de fatal
Se te bastasse eu ser o que sou
Se me bastasse ter o que não tenho
Se nos bastasse simplesmente amar
Se nos bastasse este amor tamanho
Mas não basta apenas ser feita à tua medida
Não basta a saudade e a solidão e a dor
que mesmo em cima de um grande amor
Não basta para evitar a despedida
Não basta querer-te desta vez e sem pensar
Não basta ser a alma e o coração
Não basta amar...
Se a vida fosse só uma forma de morrer
Se a morte fosse tudo o que temos a receber
Se te bastasse o que sentes, o que sou
Não me porias onde sei que estou.
Há dias que começam no final
e outros que terminam no principio
Há conversas que nunca foram tidas
saudades que nunca foram vividas
Há uma Lua no solstício de Verão
um Sol que não pára de chover
Há um beijo que nunca vou esquecer
um carro que desce a rua devagar
Há uma doida vontade de ficar
e a urgência de saber o que é real
Há a calma de quem quer perceber
Há também qualquer coisa de fatal
Se te bastasse eu ser o que sou
Se me bastasse ter o que não tenho
Se nos bastasse simplesmente amar
Se nos bastasse este amor tamanho
Mas não basta apenas ser feita à tua medida
Não basta a saudade e a solidão e a dor
que mesmo em cima de um grande amor
Não basta para evitar a despedida
16/10/12
Há coisas que se contam muito devagar
Pelos dedos da mão
Como quem vem abraçar
Um tempo sem perdão
Porque o tempo é como a vida
Não perdoa nem aguarda
Segue o caminho das coisas
Das coisas que agente larga
E as coisas que agente larga
Se são coisas que agente sente
Fazem dor no coração
Como se o cortassem rente
E quando se corta uma coisa
Mesmo sem querer cortar
A vida e o tempo juntam-se
com vontade de chorar
Mas a vida não tem olhos
E o tempo só anda em frente
Não há lágrimas que cheguem
P'ra aquilo que agente sente
As coisas que se contam muito devagar
Sabemos que mudaram
Quando as paramos de contar
Pelos dedos da mão
Como quem vem abraçar
Um tempo sem perdão
Porque o tempo é como a vida
Não perdoa nem aguarda
Segue o caminho das coisas
Das coisas que agente larga
E as coisas que agente larga
Se são coisas que agente sente
Fazem dor no coração
Como se o cortassem rente
E quando se corta uma coisa
Mesmo sem querer cortar
A vida e o tempo juntam-se
com vontade de chorar
Mas a vida não tem olhos
E o tempo só anda em frente
Não há lágrimas que cheguem
P'ra aquilo que agente sente
As coisas que se contam muito devagar
Sabemos que mudaram
Quando as paramos de contar
26/09/12
ouvir a chuva lá fora
traz-me sempre cá para dentro de mim uma sensação de impaciência
é como se a nostalgia se instalasse aqui
e se sentasse, invisível, numa cadeira, ao meu lado
ouvir a chuva lá fora
traz-me sempre cá para dentro de mim uma sensação de impaciência
é como se a nostalgia se instalasse aqui
e se sentasse, invisível, numa cadeira, ao meu lado
ouvir a chuva lá fora
faz-me lembrar botas de borracha com olhinhos
que tinha e adorava, quando era pequena
e lembra-me quando pisava as poças de água como se fossem proibídas
e eram...
ouvir a chuva lá fora
arrepia-me a alma com leveza
a leveza de quem a ouve em silencio e espera
espera que venha o sol ou a primavera
apetece parar
apetece fechar os olhos e tentar ouvir
para lá das gotas a cair
para lá do tempo a passar
apetece esperar
ouvir a chuva lá fora
faz-me lembrar um futuro que ainda não passou
faz-me lembrar um passado que nunca aconteceu
faz-me lembrar que o presente... ás vezes é envenenado
faz lembrar talvez
um qualquer universo paralelo
onde tudo anda de pernas para o ar
onde parar é andar e andar é parar
onde querer é poder
e poder é avançar
e correr é talvez algo, que lá, se faz muito devagar
ouvir a chuva lá fora
dá-me ao coração alento
o mesmo não acontece
se com a chuva vem o vento....
que tinha e adorava, quando era pequena
e lembra-me quando pisava as poças de água como se fossem proibídas
e eram...
ouvir a chuva lá fora
arrepia-me a alma com leveza
a leveza de quem a ouve em silencio e espera
espera que venha o sol ou a primavera
apetece parar
apetece fechar os olhos e tentar ouvir
para lá das gotas a cair
para lá do tempo a passar
apetece esperar
ouvir a chuva lá fora
faz-me lembrar um futuro que ainda não passou
faz-me lembrar um passado que nunca aconteceu
faz-me lembrar que o presente... ás vezes é envenenado
faz lembrar talvez
um qualquer universo paralelo
onde tudo anda de pernas para o ar
onde parar é andar e andar é parar
onde querer é poder
e poder é avançar
e correr é talvez algo, que lá, se faz muito devagar
ouvir a chuva lá fora
dá-me ao coração alento
o mesmo não acontece
se com a chuva vem o vento....
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